Exo Alma - Guião







 Esta história tem lugar no seu próprio universo. Não existe qualquer ligação com algo anterior a isso…

Eu vejo-o com um clássico filme de terror assente num contexto de sci fi. Perturbador, com muito suspense e inteligente, as personagens vivem num mundo real.

OVER BLACK:

O ecrâ fica preto.

OUVE-SE O SOM DO ECO DA SUA RESPIRAÇÃO.

Com o passar dos segundos, começamos a ouvir o seu corpo remoendo na matéria que o envolve.

SOM MUSICAL DE TAMBOR ACENTUA ATÉ AO ABRIR DOS SEUS OLHOS. NA PRIMEIRA PESSOA.

FADE IN:

REERGUER

Int. Local: Desconhecido, Hora: Indeterminada.

Abre os olhos lentamente.

A escuridão envolve-o. À sua frente, a um palmo de distância, pequenas gotas escorrem pelo vidro. Recuperando os sentidos, bastante debilitado, esforça-se por se mover, mas sem efeito. Está completamente mobilizado. Uma conclusão tenebrosa apodera-se do mesmo.

OLIVER (ANSIOSO)

Mas… O que se passa?! Estou preso! Dentro duma cápsula? Socorro!!

Cada vez mais angustiado, aumenta a sua contorção dentro do pequeno espaço tentando se soltar.

EFEITO SONORO GRAVE (INSTRUMENTO DE SOM GRAVE) VINDO DO EXTERIOR DA CÁPSULA.

OLIVER (PARALIZADO, DE OLHOS ARREGALADOS TENTANDO VER PELO VIDRO)

Que barulho é este?

EFEITO MECÂNICO SONORO.

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A cápsula dá um valente abanão. Acaba por abrir. O fumo preenche todo o seu envolvente. Líquidos escorrem pela cápsula para o chão. O mesmo sente-se nauseado, acabando por cair no chão, feito peso morto.

CORTA PARA: COMEÇA FLASHBACK:

CAUSA E EFEITO

Int. Londres, Unidade Hospitalar de Brentown, cinco anos antes, fim de tarde.

Legenda: cinco anos antes.

Com olhar fixado para a janela do corredor, Oliver observa, com um olhar vazio, o sucedido dentro do quarto.

ENFERMEIRO (APROXIMA-SE DE OLIVER JUNTO À JANELA)

Temo não podermos fazer mais para a salvar. Chegou muito debilitada à unidade.

Foco da câmera na cara de Oliver.

Surgem pela sua esquerda dois oficiais de semblante fechado.

AGENTE 1 (OBSERVANDO O INTERIOR DO QUARTO)

A sua situação acabou de piorar. Vamos! Acompanhe-nos.

A câmara capta Oliver por inteiro. Está algemado.

O mesmo acaba por acompanhar os oficiais.

A câmara finalmente capta o interior do quarto. Dois médicos finalizam a declaração de óbito do corpo. Trata-se de uma idosa com roupas gastas, semelhantes a sem-abrigo.

CORTA PARA:

Ext. Londres, Viatura Policial, dez minutos depois.

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AGENTE 2 (NO BANCO PENDURA OBSERVANDO PELO RETROVISOR)

A viagem é curta. Rapidamente terá a sua oportunidade de explicar o que aquela senhora lhe fez para acabar naquela cama de hospital.

ACABA FLASHBACK.

CORTA PARA:

CLAUSTROFÓBICO

Int. Local: Desconhecido, Hora: Indeterminada.

Legenda: Atualmente.

EFEITO SONORO GRAVE (INSTRUMENTO DE SOM GRAVE).

Oliver recupera os sentidos. A camera em primeira pessoa ilustra o recuperar da sua visão à medida que denota o espaço escuro envolvente e um vulto correndo na sua direção.

FREEZE FRAME:

Ouve-se uma música de fundo de suspense por violinos obscuros, por uma nota única, no momento em que o vulto aproxima-se de Oliver.

STOP FREEZE FRAME:

MARTA (ASSUSTADA)

Estás bem?! Acorda anda!

Ao tentar-se erguer Oliver coloca a mão esfregando os olhos.

OLIVER

Onde estamos? Quem és tu?

MARTA

Chamo-me Marta. Não sei onde estamos. Parece um labirinto. Tenho andado às voltas pelos corredores.

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Oliver foca-se em Marta. Depois de se levanter, começa a deambular pela sala. Parece um local construído para criogenia, constituido por quarto cápsulas. Três já abertas e uma ainda fechada.

OLIVER

Também saiste de uma cápsula? Sabes como viemos aqui parar? Não me lembro de nada!

MARTA

Sim saí. À cerca de uma hora. Também não me recordo.

EFEITO SONORO GRAVE (INSTRUMENTO DE SOPRO GRAVE).

Ambos, em pânico, observam em seu redor procurando respostas para o som.

MARTA

Este som… Vem do exterior.

Oliver corre para a cápsula fechada.

Olha para o seu interior.

OLIVER

Está… vazia…

MARTA

Sim. Pelos vistos fomos apenas três a sermos colocados.

OLIVER

Três?! Onde está então o terceiro?

MARTA

Deve ter acordado antes de mim. Fui à sua procura mas acabei por dar aqui novamente.

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Oliver dando uma última volta à pequena sala, com traços futuristas, acaba por chegar a uma ideia.

OLIVER

Vamos procurá-lo então? Pode ser a resposta para o que nos está a suceder.

MARTA

Concordo. Segue-me já andei um pouco pelos corredores.

Os dois acabam por sair da sala.

Caminhando pelo corridor, ambos vão se deparando com uma arquitectura bastante à frente do seu tempo. Como que veias pelas paredes, feixes de luz azul marinho correm em sentido contrário às suas passadas. O escuro do espaço realça o trânsito dos mesmos.

OLIVER

Estaremos dentro de um laboratório? Toda esta tecnologia…

MARTA

Não acredito. Sou investigadora na faculdade de Manchester. Já viajei muito em trabalho, nunca vi nada assim.

O AMBIENTE É AGORA DE SILÊNCIO PROFUNDO. Á medida que caminham pelo corredor, de rompante, sente-se o piso aquado.

OLIVER (ESTUPEFACTO OLHANDO PARA O SEU PÉ)

Que coisa é esta… Peganhenta… Sangue?!

MARTA (COM OS OLHOS ARREGALADOS)

Vem daquela porta, fechada. Vamos. Ajuda-me a abrir.

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EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

Ambos, um de cada lado, fazem força para abrir as portas electrónicas de correr.

As portas são de um peso exorbitante. Obrigando-os ao máximo das suas forças.

EFEITO MECÂNICO SONORO.

Ambos, apavorados, olham entre si após ouvir o barulho. Voltam a fazer força. AS PORTAM ACABAM POR CEDER.

OLIVER (OLHANDO INCRÉDULO PARA O INTERIOR)

Não posso acreditar! Uma sala de comando?! Estamos… Numa nave?

MARTA (ESPANTADA OLHANDO EM REDOR)

Como viemos aqui parar?

OLIVER

Não me lembro de quase nada! Olha! O rasto de sangue! Vai para dentro daquela porta!

Em passo lento, dirigem-se para a porta na lateral direita da sala de controlo. A sala, em formato oval, apresenta-se com equipamentos de última geração. As paredes são adornadas com paineis transparentes de gestão de dados. Ao centro, quatro cadeiras direcionadas para o grande vidro, neste momento escuro, no lado oposto à porta de entrada.

MARTA (SUSSURRANDO)

Olha. Será seguro irmos sem qualquer arma?

OLIVER

Temo não haver solução. Poderá estar ali a nossa resposta.

SOM DE MOVIMENTO NAS SUAS COSTAS.

SINAL SONORO DE VIOLINO GRITANDO.

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OLIVER (REPARANDO NUM VULTO CORRENDO ATRÁS)

Marta, viste? O que foi aquilo?

MARTA

Aquilo o quê?

OLIVER

Pareceu-me… Nada… Vamos continuar.

Ambos cruzam a entrada lateral. Observam agora a pequena sala. Tratam-se de uns aposentos.

Ao centro a cama. Em cima, um corpo deitado, de cabeça para baixo, com as costas abertas cobertas de sangue e com ossos à mostra e com um buraco de bala na nuca. A arma posiciona-se na lateral da cama no chão.

MARTA

Foda-se… O que se está a passar aqui? Quem é aquele?

Oliver aproxima-se para a lateral direita. Tenta sorrateiramente verificar a cara. Passo a passo, esgueira-se para a beira da cama. A vinte centimetros do corpo, estica a mão para retirar o cabelo longo, grisalho, da cara do velho. Este, com cabelo e barba compridos, todo ensaguentado, dificulta a qualquer um identificar os seus olhos, nariz e boca.

PASSOS NAS COSTAS DE AMBOS.

Salto!

MARTA (OLHANDO PARA TRÁS, PARA A SALA DE COMANDO, SUSURRANDO)

Oliver! Está aqui alguém!

Juntos um ao outro, aproximam-se da lateral da porta dos aposentos, para espreitar quem se aproxima.

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OLIVER (APREENSIVO, APONTANDO PARA O CANTO)

Ali!...

Um sujeito, com um ar acabado, de roupa suja, rasgada e higiene com falta de cuidado entra pela sala.

OLIVER (PEGANDO UM CABO DE ALUMÍNIO JUNTO À MESA DE CABECEIRA)

Marta, segue-me.

Os dois seguem junto à lateral da sala de controlo, esgueirando-se entre os móveis, tentando contornar o sujeito sem que ele os veja.

O sujeito caminha até ao painel grande escuro no fundo da sala. Começa a cantar músicas de embalar.

SUJEITO (CANTANDO, COM VOZ GASTA, ROCA)

“Eu sou o gato, estarei morto? Ai veneno, ai veneno vou tomar...”

Oliver, de braço estendido com o cabo em mão, e Marta escondendo-se à sua rectaguarda, chegam ao sujeito pelas costas do mesmo, sem que eles os veja.

OLIVER (OLHA PARA MARTA CONFUSO, SUSSURRANDO)

Que raio está ele a dizer?

MARTA (ASSUSTADA, SUSURRANDO)

Está louco! Cuidado, parece-me desiquilibrado!

Oliver olha para esta enquanto a mesma sussurra, quando retorna o olhar para o sujeito o mesmo está encarando-o.

Salto de susto!

OLIVER

Alto! Quem é você?!

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O sujeito vira-se para a tela e continua a cantar.

SUJEITO (CANTANDO, COM VOZ GASTA, ROCA)

“Eu sou o gato, estarei morto? Ai veneno, ai veneno vou tomar...”

Oliver e Marta, juntos um ao outro, olham entre si.

MARTA (APROXIMANDO-SE DO SUJEITO)

Quem é você?

DR. KEVIN (VIRANDO-SE PARA MARTA)

Ahm? Meu nome… Kevin. Dr. Kevin.

OLIVER (ESPANTADO)

Doutor?

Kevin começa a rir-se novamente virando-se para o ecrâ para começar o seu canto.

Marta pega-lhe o ombro e puxa-o.

MARTA (EXALTADA)

Como veio aqui parar? Diga-nos!

KEVIN (RISO PARANÓICO)

EHEH… Nem me lembro. Foi à tanto tempo. Estou velho…

OLIVER

Tanto tempo? Como assim?

KEVIN

Ora bem… Somando tudo… Tirando aqueles dois enganos… Bem Não foram bem enganos…

EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

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Olham entre si apreensivos.

MARTA

Deixe-se de rodeios!

KEVIN

Quatro anos, dois meses, vinte e oito dias e dez horas.

MARTA (OLHAR INCRÉDULO PARA OLIVER)

Quatro anos?!

Oliver não quer acreditar no que ouve. Dirige-se a Kevin alterado.

OLIVER (EXALTADO)

Quatro anos como? O que está a fazer aqui à tanto tempo? Quem é aquele na cama? Você matou-o?

EFEITO SONORO ELECTRÓNICO (TURBINAS A ARRANCAR).

Ligam-se as luzes da sala juntamente com o painel frontal.

SUJEITO (CANTANDO, COM VOZ GASTA, ROCA)

“Eu sou o gato, estarei morto? Ai veneno, ai veneno vou tomar...”

Marta e Oliver, com o aparecimento da luz, ficam embasbacados olhando para o painel agora acesso à frente.

OLIVER (ANSIOSO)

Estamos… Estamos…

MARTA (EM PÂNICO)

Estamos no Espaço!

Kevin começa a bater palmas de felicidade. À frente de todos, pelo painel electrónico, dislumbram-se as estrelas no

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espaço. O que até ali parecia umas instalações de vanguarda de pesquisa, identifica-se agora como uma nave espacial.

OLIVER (AGARRANDO PELO COLARINHO KEVIN)

Como viemos aqui parar? Diga-nos!

KEVIN (IRÓNICO, RINDO-SE)

Não te preocupes com isso! Preocupa-te para onde vamos!

OLIVER

Que está a falar? Para onde vamos?!

Kevin começa a espelir sangue pela boca à medida que incrementa o seu riso.

MARTA

Dr. Kevin! O que tem? Oliver ajuda-o!

Kevin acaba por cair no chão. Contorcendo-se como que tendo um ataque epiléctico acaba por sucumbir, esvaiando-se em sangue pela boca.

O seu tronco começa a remoer-se e a inchar.

MARTA (EM PÂNICO)

O que se está a passar? O que tem o tronco dele?

Oliver começa a olhar em sua volta tentando arranjar uma solução.

OLIVER

Marta! Ajuda-me!

Oliver pega em Kevin colocando as mãos em suas axilas.

MARTA

O que estás a fazer?

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OLIVER

Vamos colocá-lo junto ao corpo na cama!

Marta, atarantada com o sucedido, demora a reagir.

MARTA (PEGANDO PELOS PÉS KEVIN)

Ok, ok!

Ambos colocam o corpo em cima da cama, cada vez mais o tronco de Kevin incha e remoi-se.

OLIVER

Vamos! Rápido!

Correm para a sala de controlo em conjunto e forçam o fecho da porta dos aposentos.

Empurrando um móvel na lateral bloqueiam a possível abertura da mesma.

Caem exaustos no chão.

SILÊNCIO ENXURDECEDOR.

PUM!!!

MARTA (ANGUSTIADA)

Meu deus! O que foi isto?

PUM!!!

PUM!!!

OLIVER (EM PÂNICO)

Algo está a tentar abrir a porta!

PUM!!!

Passaram-se alguns segundos. Retornou o silêncio. Gera-se um barulho, como que baratas, pela fuzelagem em cima dos mesmos.

MARTA

Terá escapado?!

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OLIVER (LEVANTANDO-SE)

Não sei. Mas não podemos esperar pela sua chegada. Vamos!

Marta levanta-se.

MARTA

Que faremos agora?! Estamos aqui presos!

OLIVER

Vamos procurar pela nave por mais alguma pista. Temos que descobrir o que estamos aqui a fazer!

Iniciam nova incursão pela nave. Agora, em passo largo, correm pelos corredores, procurando por um sinal que os esclareça.

OLIVER

Nada disto faz sentido! Sou apenas um operador informático. Por que raio seria chamado para uma missão?

MARTA

Eu sou investigadora na área de física quântica, não propriamente uma astronauta!

ALERTA SONORO DE SIRENE E ALERTA LUMINOSO VERMELHO INTERMITENTE POR TODA A NAVE.

MARTA (ATERRORIZADA)

O que se está a passar? Será que a nave está com algum problema?

Ambos param num cruzamento de corredores e começam a olhar a 360º na procura de respostas para o alarme. À sua retaguarda

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um caminho sem respostas já percorrido. À frente, a escotilha de acesso ao exterior da nave. De ambos os lados corredores curvilineos sem fim à vista.

OLIVER (CONFUSO)

Esquerda ou direita?

MARTA

Qual a diferença? Tudo aqui parece tão… igual.

OLIVER

Tens razão. Anda, vamos pela esquerda.

Caminham pelo corredor procurando por respostas. Neste momento, mais que temer pelo o vácuo envolvente do Espaço, TEMEM PELA VIDA, PRÓXIMA, AO VIRAR DE CADA ESQUINA.

MARTA

Oliver, ali, ao fundo, luz!

Oliver surpreende-se com a indicação de Marta. Após confirmer, levanta um pequeno sorriso.

OLIVER (ESPERANÇOSO)

Vamos! Rápido.

Correm em direção ao ponto luminoso.

EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

Chegados ao local da projeção da luz, deparam-se com uma porta aberta. Entram em passo alargado sala a dentro.

OLIVER

Não acredito nisto! Voltámos à sala de controlo! O que se está a passar?

MARTA (APAVORADA)

Oliver!

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OLIVER

O que se passa Marta?

MARTA (DE OLHOS ARREGALADOS)

A porta dos aposentos… Está… Aberta!

OLIVER

Foda-se. O que se está a passar!

Subitamente um vulto aproxima-se pela sua retaguarda saltando para cima de marta.

MARTA

Oliver!! Socorro!

Kevin, completamente alterado, escorrendo sangue pelos olhos, boca, ouvidos e com a pele inchada com coloração rouxa, age como um morto vivo atacando Marta na tentativa de a abucanhar.

Deitada no chão, pelo impacto do encotro de Kevin, Marta está agora lutando pela vida, limitando ao máximo a tentativa de kevin morder a sua cara.

MARTA (GRITANDO)

Oliver!

Oliver, rodopia procurando por algo que ajude a libertar Marta. Numa fração de segundos, apodera-se de um bengaleiro de alumínio e num movimento único atinge a nuca de Kevin. O mesmo caí estatelado no chão com um buraco na zona de impacto. Pedaços de osso e do cérebro são visíveis neste momento.

OLIVER (PEGANDO EM MARTA PELAS MÃOS)

Vamos. Anda!

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MARTA (EM CHOQUE, CHORANDO)

O que se passa com Kevin? O que está a acontecer?

OLIVER

Não faço ideia. Mas não é seguro estarmos aqui com ele.

EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

CORTE GERAL DE LUZ.

Neste momento, todo o espaço está escuro. Observa-se, ao fundo, nas paredes, o pequeno rasgo de luz em suas entranhas, sendo assim, o pequeno vislumbre possível.

MARTA (DEBILITADA)

E agora? Algo não está bem.

OLIVER

Sim. Muita coisa não está bem!

MARTA

Estou a falar de mim. Sinto-me bastante nauseada.

O ambiente escuro impossibilita a ambos determinar corretamente o ponto de situação naquele momento.

OUVE-SE UM PEQUENO ESTREMECER Á FRENTE.

OLIVER

Também estás a ouvir isto?

MARTA

Parece… É o Kevin!

OLIVER

É impossível. Viste bem como ficou a sua cabeça.

O BARULHO AUMENTA. Cada vez mais a sensação de ambos passa a uma certeza que Kevin está a reanimar.

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OLIVER

Vamos! Rápido! Temos que sair imediatamente daqui.

Oliver pega em peso Marta. Pelas guias azuis nas paredes, tenta descobrir um caminho de fuga dali. Ao longo dos corredores, o arrastar dos seus pés ao locomover-se com Marta ao colo são os únicos sons audíveis.

EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

FORTE ABANÃO EM TODA A NAVE.

MARTA (ASSUSTADA, DEBILITADA)

Oliver…

OLIVER

Iremos encontrar uma solução!

Após alguns segundos, caminhando pelo escuro azulado, deparam-se com um fatidico destino.

OLIVER (DESCONSOLADO)

Viemos dar… Estamos novamente no mesmo cruzamento.

MARTA

Temos andado às voltas, que nem uns ratos! Não existe alternativa!

OLIVER

Podemos tentar ir para a direita desta vez. Vamos!

Oliver arranca para a sua direita levando Marta em peso. Após uma longa caminhada, deparam-se com um destino cruel.

MARTA

Oh meu Deus! Voltámos à sala de controlo. Segue, segue! Antes que Kevin nos veja.

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Voltam atrás no sentido inverso.

BARULHOS PELO TECTO.

A luz regressa momentaneamente à nave voltando, de seguida, a desligar.

Acabam por dar novamente com o cruzamento.

OLIVER (ESTAFADO, POISANDO MARTA NO CHÃO)

Estou a começar a perder a esperança. Não sei o que fazer… Como te sentes?

MARTA

Não muito bem. Tenho as costas a arder.

Oliver coloca a mão nas costas de Marta para, pelo tacto, detector alguma não conformidade.

OLIVER (PENSANDO PARA SI MESMO)

Oh não! Parece que foi mordida!

MARTA

Então? Tudo bem comigo?

OLIVER

Está bastante escuro! Não consigo perceber como estás realmente.

EFEITO SONORO GRAVE DO EXTERIOR (INSTRUMENTO DE SOPRO).

AMBOS APROXIMAM-SE UM DO OUTRO.

Silêncio por uns segundos.

Ouvem-se passos, arrastados, em direção ao cruzamento.

MARTA

Também estás a ouvir?

OLIVER

Sim! Vem nesta direção.

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MARTA

E agora, o que fazemos?

OLIVER

Não sei Marta. Temo que não haja alternativa.

SOM, AO FUNDO, DE UM RESPIRAR MACABRO, COMO QUE TENTANDO ABSORVER A ÚLTIMA CÉLULA DE OXIGÊNIO DO LOCAL.

Ambos estão abraçados um ao outro, impotentes, aguardando pelo ser que se aproxima.

MARTA

“Eu sou o gato, estarei morto? Ai veneno, ai veneno vou tomar...”

OLIVER

Como?

MARTA (MEDITANDO PARA SI)

“Eu sou o gato, estarei morto? Ai veneno, ai veneno vou tomar...”!

OLIVER

O que estás para aí a dizer?

MARTA

Kevin! Como é que ele conseguiu viver os quatro anos de que falou? Aqui? Às voltas?

OLIVER

Realmente… Não sei o que te dizer… Mas… O que isso tem a haver com a canção dele?

MARTA

Kevin, quando o encontrámos, mostrava sinais de demência. Mas também sempre foi um

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cientista. O gato, o veneno, preso… Tem a haver com o paradoxo de Schrödinger. É isso!

OLIVER

Quem? Marta tens que ser mais clara. Não temos muito tempo.

MARTA

Basicamente foi um ensaio científico feito de um gato dentro duma caixa com um frasco de veneno e o paradoxo era entre se o gato estava vivo e morto segundo as possibilidades quânticas!

OLIVER

Ok, entendi ainda menos agora. Estás a dizer que estamos mortos?

MARTA

Eu não sei a resposta. Estou a dizer que Kevin cantava sobre o paradoxo. E se nós estamos num paradoxo singular?

Ao fundo, completamente desfigurado, o que era antes Kevin é, agora, um ser completamente horripilante, esventrado e coberto de sangue, com pedaços de tecidos internos visíves.

OLIVER (EM PÂNICO, PEGANDO EM MARTA)

Ele vem aí! Vamos! Temos que ir!

MARTA

Vamos para a escotilha!

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OLIVER

Estás louca! Do outro lado é o vazio espacial! Além que não temos fatos!

MARTA

Não podemos andar infinitamente às voltas. Kevin irá nos apanhar. Que seja assim então. Prefiro morrer no Espaço a tentar fugir que ser comida!

Oliver por uma fração de segundos respira fundo, vendo à sua frente o fim da sua vida.

O mesmo levanta-se carregando Marta até à escotilha.

De um lado o vácuo. Do outro a morte representada pela humanidade corrumpida.

OLIVER (CHORANDO, DE MÃO NA ESCOTILHA)

Não entendo este destino para nós.

MARTA

A morte espera-nos. Cabe a nós decidir como a receber. Este é o nosso paradoxo.

Kevin está a poucos passos de ambos. Se a alternativa fosse outra, a esta altura, já não havia solução para executar.

OLIVER

Que assim seja!

Oliver, com ambas as mãos, exerce força para que a escotilha abra.

Após algumas tentativas, com Kevin a pequenos momentos de os alcançar, a escotilha acaba por ceder e Oliver abre-a fechando os olhos nesse momento.

EFEITO SONORO GRAVE AGORA ENVOLVENTE (INSTRUMENTO DE SOPRO).

CORTA PARA:

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COMEÇA FLASHBACK:

DERRAME

Int. Paris, Centro de Estudos Avançados, cinco anos antes, manhã.

Legenda: cinco anos antes.

A camera inicia acompanhando, por detrás, uma mulher de batina branca e sapatos altos vermelhos, caminhando corredor fora. O eco do taco espalha-se pelo meio envolvente.

Ao fundo do corredor, passando por uma porta de impermiabilização de espaço, acena para a operadora de testes que se encontra dentro da sala. A mesma acena com um pequeno gesto da cabeça. Condiciona todo o material adequadamente e saí para fora ao seu encontro.

MARTA

Sim, alguma coisa urgente?

SECRETÁRIA (CONSTRANGIDA)

Doutora Marta, estão ali uns senhores para falar consigo.

MARTA

Senhores? Apresentaram-se?

SECRETÁRIA

Disseram que era privado, mas doutora, têm uma imagem bastante sinistra.

MARTA (ALGO CURIOSA)

Ok, vamos lá ver do que se trata.

Chegada à sala de reuniões do centro. Dois sujeitos aguardam sentados na secretária. Ambos vestidos de terno preto, com camisa preta.

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OFICIAL 1

Doutora Marta? Sente-se por favor…

MARTA (PREOCUPADA)

Desculpe, do que se trata? Quem são os senhores?

OFICIAL 1

Interpol.

MARTA

Interpol? Desculpe, deve haver um equívoco.

OFICIAL 2

Não efectuou um estudo recentemente sobre a dualidade onda-partícula?

Marta solta um riso curto com a questão do agente.

MARTA

Desculpe… Foi um espasmo. Sim. Mas o que tem a haver com a vossa vinda cá? É meramente uma tese académica.

Os agentes olham um para o outro. O ar carregado dos dois denota um motivo tenso para a sua vinda.

Um dos agentes retira da mala um pequeno aparelho.

OFICIAL 2

Antes de mais iremos medir-lhe alguns dados. Coloque o seu braço direito em cima do aparelho por favor.

MARTA

Dados? Para que efeito?

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OFICIAL 2

Procedimento padrão.

Marta acaba por aceitar. Coloca o seu braço em cima do aparelho.

MARTA

E agora?

Os agentes não respondem. Fica de algo incrédula olhando entre ambos e o leitor do aparelho tentando entender o desenrolar da situação.

MARTA (CONFUSA)

Estou… Estou… A ver tudo turvo.

Os agentes não demostram qualquer reação, continuando a olhar para Marta estáticos.

Marta acaba por cair com a cabeça na mesa desmaiada.

ACABA FLASHBACK.

CORTA PARA:

ESQUIZOFRÉNICO

Int. Nova Yorque, Centro de Estudos Avançados, de noite.

Legenda: Atualmente.

O clarão branco de luz encadeia os olhos de ambos. O esperado vácuo exterminador da imensidão do universo tornou-se um feixe de luz perturbador.

EFEITO SONORO GRAVE ENVOLVENTE (INSTRUMENTO DE SOPRO).

Deitados no chão, duro, arriscam a abrir os olhos dentro do possível.

Não querem acreditar ainda estarem vivos.

MARTA

Oliver, Oliver! Estamos vivos! Mas… Onde estamos?

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OLIVER (INCRÉDULO)

Meu Deus! Não acredito! Isto … Não é uma nave real! É… Um protótipo de testes?

BATIDA FORTE DE TAMBORES ACOMPANHADOS DE INSTRUMENTAL DE SELVA CARACTERIZANDO A CENA COMO SELVAGEM.

De dentro da nave surge Kevin em direção a ambos para os atacar.

Momentaneamente, Oliver reage agarrando-se ao ser monstroso agora. Tentando se esquivar das mordidas do monstro, Oliver guerreira num jogo de forças. Acaba por empurrar Kevin para dentro da nave selando de seguida a porta.

Cai no chão esgotado, tossindo de todo o esforço executado.

MARTA

Oliver, estás bem? Mordeu-te?

OLIVER (OLHANDO-SE, DEITADO NO CHÃO)

Não… Julgo que não!

MARTA

Onde estamos?

OLIVER (LEVANTANDO-SE)

Não sei! A nave não passava dum protótipo. Mas… Como fomos lá parar?

MARTA (TOSSINDO)

Ajuda-me a levantar.

Oliver ajuda Marta. Enquanto a levantava, apercebera-se do suor que escorria densamente pelo rosto da mesma.

OLIVER

E agora?

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MARTA

Se a nave é um protótipo de teste, então devemos estar num centro de pesquisas. Vamos procurar pela sala de comando. Concerteza encontraremos algo.

Os dois decidem seguir caminho. Ao deambular pelas instalações, algo perturbador intriga-os.

OLIVER

Onde está toda a gente? Está tudo devidamente no local, mas não se vê ninguém.

MARTA (PREOCUPADA)

Parece que tiveram que sair de rompante.

Passam por uma sala de refeições com nove metros quadrados. As sobremesas estão nos tabuleiros, já com traços claros de antiguidade mas, com toda a arrumação de não terem sido tocadas. Á direita, uma mesa grande, com enfeites de festa de aniversário mas sem qualquer uso, dando ideia que não chegara a ser usada.

OLIVER

Será que ficámos tanto tempo na nave por esquecimento?

MARTA

Nada disto faz sentido. Não consigo entender como Kevin, sabendo de tudo, acabou ali, conosco.

Ao caminharem pelas instalações deparam-se finalmente com a sala de comando.

“SALA MAJOR KENNEDY”

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OLIVER

Major Kennedy? Onde estamos nós?

MARTA

Kennedy... Estamos nos Estados Unidos? Como viemos cá parar?

Decidem-se a entrar na sala.

A sala apresenta uma ambiguidade intoxicante. Pela mobília tradicional espalham-se instrumentos de última geração de vanguarda.

MARTA (CHOCADA)

Oliver! Oliver!

OLIVER (OLHANDO PARA UM MAÇO DE FOLHAS NUMA SECRETÁRIA)

Diz Marta. O que foi?

MARTA

Estes quadros na parede. Olha aqui o último!

Oliver aproxima-se de Marta.

OLIVER

Deve ser a equipa de pesquisa.

MARTA (APONTANDO COM O DEDO)

Aqui. Estás a ver?

OLIVER (DE OLHOS ARREGALADOS)

Kevin?

MARTA

Ele era um dos funcionários do centro de pesquisa! O que fazia ele conosco na nave?

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

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OUVEM-SE GRITOS DO EXTERIOR DA SALA.

OLIVER (EM PÂNICO)

Marta! O que é isto?

MARTA

Kevin?

OLIVER (CERTO DO QUE DIZ)

Não pode ser! Aquela porta aguentava com uma bomba. Oh, meu Deus! Será que existem mais igual?

MARTA

Não vamos ficar para descobrir. Anda rápido!

Os dois correm sala fora. Correndo pelos corredores, procuram sinais de exterior.

De rompante, ao virar da esquina, dão de caras com dois individuos ao fundo.

OLIVER (SUSSURRANDO)

Ali estás a ver?

MARTA (SUSSURRANDO)

Oliver esconde-te.

Os dois, junto a um armário de metal, observam os individuos ao longe. Sem proferirem qualquer palavra, os individuos parecem guerrear com as mãos a posse de um objecto oval, imperceptível aquela distância.

MARTA

O que têm eles na mão?

OLIVER

Não consigo entender.

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WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

Os indivíduos gritam e começam a guerrear entre eles.

OLIVER

Oh não. Parecem estar como Kevin!

Um dos dois indivíduos acaba por fugir, levando o segundo a persegui-lo, deixando para trás o objecto.

MARTA (PEGANDO NO OMBRO DE OLIVER)

Foram embora. Vamos!

OLIVER

Vamos? Onde?

MARTA

Ver o que tanto os fez guerrear.

Decididos a encontrar uma solução, caminham de encontro ao objecto. Ao chegar deparam-se com um globo de prata, esculpido com traços linguistícos distintos.

MARTA

Um globo? O que é isto escrito?

Marta acaba por cambalear.

OLIVER (APOIANDO MARTA)

Marta! Estás bem?

MARTA

Sim. Foi apenas um pequeno mau estar.

EFEITO SONORO GRAVE PRÓXIMO, EM ALTO SOM (INSTRUMENTO DE SOPRO).

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MARTA

Estamos perto do ruído. Vamos!

OLIVER (PEGANDO O GLOBO PARA LEVAR)

Vamos!

Os dois, em passos cuidados, cruzam o salão principal, no sentido do sinal sonoro. Pelo caminho não aparenta haver vestigios de sobreviventes bem como de alguma pista do destino de todos.

MARTA (SUSSURANDO)

Ali. Estás a ver? Uma luz intermitente.

OLIVER

Sim. Vamos!

Chegados ao local deparam-se com uma sala pequena de três metros por três metros. Toda ela é forrada com chapas de alumínio brilhante relevando assim, ao centro, uma escadaria em caracol. Ao topo uma claraboia. De lá, reluz uma luz cintilante vermelha. Aquela que observavam ambos.

OLIVER

Subimos?

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

MARTA

Eles estão perto! Não temos alternativa!

OLIVER

Ok. Anda!

Os dois começam a subir, em passo apressado, a escada em caracol. A meio, sentem um forte abanão na escadaria.

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MARTA (APAVORADA, APONTANDO PARA BAIXO)

Meu Deus! Oliver! Ali, em baixo!

Oliver olha para baixo e vê dois sujeitos, com ar macabro no início das escadas, guerreando entre si para ver quem sobe primeiro em perseguição a Oliver e Marta.

OLIVER (EMPURRANDO MARTA)

Vamos, vamos! Não temos tempo a perder.

Chegados ao topo deparam-se com algo aterrador.

OLIVER (FAZENDO FORÇA NA CLARABOIA)

Foda-se! Está fechado!

MARTA (TENDO UMA CRISE DE ANSIEDADE)

E agora? O que fazemos?

Com fortes batidas com as suas costas, Oliver tenta quebrar a claraboia. Entretanto os sujeitos, tal a sua excitação de apanhar Oliver e Marta, sobem desengonçados pelas escadas, escorregando, guerreando pela lida da corrida, mordendo um ao outro.

MARTA (CHORANDO)

Oliver! Usa o globo para partir o vidro!

Oliver para e fica a olhar para o globo.

OLIVER

É isso mesmo!

Oliver começa a bater com o globo na claraboia. Após várias pancadas e com cada vez mais próximos os seres repugnantes acaba por estalar o vidro e de seguida partir.

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OLIVER

Marta, sobe!

MARTA

Mas… O espaço é muito curto para passar!

A pequena passagem, feita ao centro do vidro da claraboia, não aparentava ser suficiente para ambos passarem.

OLIVER (PEGANDO EM MARTA PARA A LEVANTAR)

Rápido, não temos tempo!

Marta, empoleirada em Oliver, acaba por avançar em atravessar o buraco. A meio da passagem, o vidro cortante da claraboia acaba por cortar a sua perna.

MARTA (CARA DE DOR)

AAAIIII!!!

O SANGUE SAÍDO DA SUA PERNA ESNGUINJA PARA A CARA DE OLIVER, BANHANDO-O POR COMPLETO.

Marta, após subir ao topo da claraboia, olha para o rasgo na sua perna angustiada. De seguida olha para Oliver.

MARTA

Oliver! Atrás de ti!!

Após limpar o sangue que cubria os seus olhos, Oliver olha para trás. O ser está prestes a agarrá-lo.

OLIVER (EMPURRANDO O SER)

Foda-se!

Com o empurrão, Oliver solta o globo que acaba por cair lá para baixo.

MARTA

Oh não! O globo!

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Com o empurrão, o ser acaba por cair para cima do outro.

OLIVER

Marta, não temos tempo! Arranja algo para selar por cima a claraboia!

MARTA

O que estás a falar?!

OLIVER (OLHANDO ENTRE MARTA E OS SERES)

Rápido! Eu não vou conseguir atravessar e eles acabarão por me deter!

MARTA (CHORANDO)

Oliver! Não…

Oliver exprime um pequeno sorriso frio para Marta.

Vira-se e corre escadas a baixo contra os seres que tentam se repor do encontrão.

OLIVER (EMPURRANDO OS SERES)

Aaaaaahhhhhh!

Oliver acaba por albarroar os seres. Um cai escadas abaixo, o outro baloiça no corrimão e cai os dez metros da escada até ao chão, rebentando o torax com o impacto.

Entretanto, Marta levanta-se e olha ao redor para algo que possa bloquear o buraco.

MARTA (INCRÉDULA)

Não pode ser… Estou no museu Guggenheim! Como é possível? Estávamos no subsolo?

Aflita, começa a olha em redor por algo que possa servir como utensílio. Ao fundo, um busto de granito junto a um pilar.

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MARTA

Terá que servir…

Marta, em esforço, arrastando a perna ensaguentada, carrega com os dois braços o busto chorando compulsivamente por Oliver. Após um enorme sacrifício, coloca o busto em cima.

MARTA (CHORANDO)

Desculpa Oliver!

CORTA PARA:

ENTRANHAS

Int. Nova Yorque, Centro de Estudos Avançados, de noite.

Oliver, após o empurrão aos dois seres, corre escadas a baixo. Chegando ao fundo, procura pelo globo no escuro.

OLIVER

Aqui está! E agora… Que farei…

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

OLIVER

Porra! Tenho que sair daqui, devem haver mais por aí.

Ao lado o ser, deitado no chão, começa a dar sinais de se querer levantar. As entranhas visiveis não são uma limitação para o mesmo.

Oliver corre desenfreado. Pelo caminho, em cada cruzamento de corredores, ouve sons de movimentos sombrios.

Após alguns segundos, termina no ponto de partida.

OLIVER (OLHANDO A 360º)

Voltei à nave! Estou perdido, não tenho fuga possível…

CORTA PARA:

SILÊNCIO MORTAL

Int. Nova Yorque, Museu Guggenheim, de noite.

Ainda em choque, Marta corre pelo piso inferior do museu. O mesmo parece estar fechado, a única luz visível é o feije

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vermelho intermitente do sistema de emergência do museu. A decoração do museu causa uma reação de estranheza.

MARTA (CONFUSA)

Que decoração… Houve algum envento aqui? Um aniversário? Só podem estar a brincar comigo.

EFEITO SONORO GRAVE EM ALTO SOM (INSTRUMENTO DE SOPRO), CORROENDO OS OUVIDOS DE MARTA.

MARTA (MÃOS A TAPAR OS OUVIDOS)

Novamente este som! Agora está ensurdecedor! Vem do exterior.

Olhando à sua volta, tenta descobrir uma saída do museu. Corre para as portas principais mas, as mesmas, estão bloqueadas com portões automáticos de ferro.

De seguida, vê uma porta indicando “zona de manutenção”, corre na sua direção.

MARTA (TENTANDO ABRIR A PORTA)

Terá que servir… Porra, está fechada!

Fragilizada, começa aos empurrões à porta tentando a abrir. Após algumas tentativas, o esforço dá resultados. Dentro da arrecadação, além de todo o material de arrumação, encontra o alçapão para o lixo comum.

MARTA

Aqui! Terá que servir.

Marta aventura-se pelo alçapão. Após uma curta viagem mas, alucinante, cai num contentor de lixo no exterior do museu.

CORTA PARA:

FUGA DE SANGUE

Int. Nova Yorque, Centro de Estudos Avançados, de noite.

Oliver depara-se com um beco sem saída. O Centro de Estudos acaba por ser um labirinto condenando-o a uma morte visceral.

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WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

OLIVER (CONFORMADO COM A SUA MORTE)

Foda-se. Não sei o que fazer. Eles estão aproximando-se. É o meu fim.

Subitamente, de todas as direções, como que baratas, começam a aparecer seres ensaguentados, com as visceras penduradas pelo tronco. Com ar de raivosos, miram Oliver como que um prémio alimentar.

OLIVER (OLHANDO AO REDOR)

Não posso acabar assim… Espera, já sei… É a minha única alternativa.

Impulsionado pelo desespero, Oliver corre para a escotilha da nave e tenta abri-la.

OLIVER (CONTORNCENDO-SE NA ESCOTILHA)

AAAAAAAAHHHHHHHGGGGGG!!

A ESCOTILHA ACABA POR ABRIR.

Oliver considera o retorno à nave como a sua SALVAÇÃO. Rapidamente fecha a escotilha, correndo o risco de ficar preso sem oportunidade de saída novamente.

Sentado, de costas para a escotilha, de braços cruzados sobre os ombros, respira ofegante olhando para o chão ensanguentado.

OLIVER

Estou apenas a adiar o inevitável. Kevin… Estará por aí à minha espera.

Recuperadas as forças, levanta-se como pode.

Caminha em direção ao escuro total.

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SOM MELANCÓLICO DE VIOLINOS ACOMPANHANDO O SEU CAMINHAR PELO CORREDOR.

Após algum tempo Oliver cruza a porta. Está novamente na sala de controle. Agora, já sem os sentidos em alerta pelo ataque de algum ser, já não teme pelo seu futuro.

OLIVER

Foda-se, voltei aqui. Basta aguardar para morrer…

OUVEM-SE SONS AGUDIZANTES AO FUNDO.

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

CORTA PARA:

FUGA PARA O PRECIPÍCIO

Ext. Nova Yorque, Museu Guggenheim, de noite.

Entre um misto de emoção pela saída do terror e o lamento pelo destino de Oliver, Marta caminha agora pela lateral do museu em plena noite de lua cheia.

MARTA (ESCORRENDO LÁGRIMAS)

Não acredito, estou cá fora! Oh Oliver…

Caminhando até à via principal, algo estranha a própria.

MARTA (CONFUSA)

Mas que raio, algo aqui não bate certo…

Toque nas costas de Marta.

SALTO!

MARTA

Oh Deus!!

ESTRANHO

Calma! Não se assuste!

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MARTA (ALIVIADA POR VER ALGUÉM)

Graças a Deus!

ESTRANHO

A menina precisa de ajuda? Está tão assustada.

MARTA

O senhor é daqui perto?

O sujeito, engravatado com fato de bom trato, bigode curto e cabelo com cera, ri-se.

JAMES (RINDO COM AMABILIDADE)

Chamo-me James. Guarda do museu. Precisa de ajuda?

MARTA

Sim! Sim! Pode me levar a alguma autoridade aqui perto?

Silêncio perturbador do meio envolvente.

JAMES

Claro que sim! Venha, venha! Tenho o carro mesmo alia ao virar da esquina.

MARTA

Desculpe atrapalhá-lo com o trabalho…

JAMES (RINDO-SE)

Como?! Ah sim… Não se preocupe. Ainda falta para a minha hora. Vamos!

Os dois seguem para o carro de James. Ao entrar no carro, algo estranha a Marta.

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MARTA

Este modelo de carro… Já não via há bastante tempo. É uma relíquia.

James ri-se em alto e bom som.

JAMES

Relíquia? Faço-lhe um bom negócio por ele. Agora com o novo sistema público que dizem aí vir, já ninguém quer carros.

MARTA (DESORIENTADA)

Novo sistema? Não estou a par.

O carro segue viagem. Pelo caminho, a falta de movimento pelas ruas, o silêncio quase que absoluto, incomoda Marta.

MARTA (OLHANDO PELO VIDRO DO PENDURA)

Não se vê niguém… As casas, as ruas… Algo está estranho.

James continua de olhos focados na estrada. Não demontra qualquer reação aos comentários de Marta, mantendo um ar fechado e sério.

Alguns quilómetros depois.

MÚSICA CARREGADA DE PIANO ACOMPANHA A CENA.

JAMES (SORRINDO)

Chegámos.

MARTA (OLHANDO EM REDOR)

Chegámos? Onde?

JAMES

FBI! Visto a sua preocupação considero ser algo importante.

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É o melhor sítio para se apresentar.

MARTA (OLHANDO PELA JANELA DO PENDURA)

Está com luzes apagadas...

JAMES

Eu aguardo.

Marta olha preocupada para James. Solta um sorriso forçado no fim.

MARTA (SORRISO AMARELO)

Obrigada pela ajuda.

Marta saí do carro em direção ao edificío. Alto, cerca de trinta andares, em tons cinza, aparenta, pela sua simplicade, ser mais um prédio como muitos nesta grande cidade.

Em pleno hall de entrada, com apenas as luzes das portas de emergência acessas, Marta procura por alguém que a possa ajudar. A certa altura algo capta a sua atenção.

MARTA (DE OLHOS ARREGALADOS)

Mas...

Caminha em direção a uma estante com brochuras da cidade.

Ao centro, um flyer com uma publicitação a preto e branco enigmática.

MARTA (LENDO EM VOZ ALTA)

“Venha conhecer o novo museu Guggenheim, com data de abertura a vinte e um de outubro.”

Marta não compreende o que está a ver.

MARTA

Abertura?

EFEITO SONORO GRAVE EM ALTO SOM (INSTRUMENTO DE SOPRO).

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MARTA (COM AS MÃOS NOS OUVIDOS)

AAAAHHH MAS O QUE É ISTO?

Corre para o exterior para determinar a origem do som. Cá fora, apenas James a aguarda junto ao carro sorrindo, olhando para ela.

DENTRO DE TUDO O QUE ACONTECE, O SORRISO DE JAMES, FACE A TODO O SUCEDIDO, É O QUE MAIS ASSUSTA MARTA.

Marta não consegue identifcar a origem do som. O ambiente escuro da cidade, sem qualquer movimento de pessoas, o céu, agora enublado, escondendo alguma luz deixada pela lua cheia, restringe a vista da mesma para o meio envolvente.

Volta a entrar para dentro assustada. Remexendo o flyer em sua mão depara-se com algo sombrio.

MARTA (OLHANDO O FLYER)

Edição… 1959?

SOM DE PIANO, TOM ÚNICO CARREGADO.

Foco camera olhos Marta ao ler.

ESTRANHO

Muito boa noite! Posso ajudar?

Salto!

MARTA (DESORIENTADA)

Ahm?

ESTRANHO

A menina, precisa de ajuda?

MARTA (DESORIENTADA)

Ahm… Sim… Aqui é o FBI?

PAUSA EXAGERADA DE RESPOSTA DO ESTRANHO OLHANDO FIXAMENTE PARA A MESMA.

ESTRANHO

Sim… É sim…

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Marta olha para ambos os lados tentando encontrar respostas para todas as suas dúvidas.

MARTA

Preciso de fazer um depoimento. É algo urgente.

ESTRANHO

Claro! Acompanhe-me por favor…

Marta olha novamente em todas as direções. A sua ansiedade dispara, identificando-se pelo suor escorrendo pela cara.

Acaba por seguir em frente do estranho para o elevador.

O mesmo, caminhando atrás de Marta, observa uma grande veia dilatada subindo as costas da mesma.

Sorriso maquiavélico do estranho.

CORTA PARA:

MORTO VIVO

Int. Nova Yorque, Centro de Estudos Avançados, de noite.

Oliver olha para o ecrâ estrelado à sua frente. Nunca, para alguém, a vista da imensidão estelar parecia algo mais apetecível que o acolhedor espaço da nave.

Foco da camera pela traseira de Oliver. Este admirando o cenário.

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

Oliver vira em direção do som.

Zoom no seu olhar.

Uma lágrima escorre pela sua cara cansada, ensaguentada.

OLIVER

Não vou fugir mais. Acabou para mim.

O som dos passos começa a intensificar-se. Oliver, está estático junto à cadeira do comandante da nave. Não arreda passo perante o seu destino cruel. Após breves segundos de sons de passos, segue-se um período de silêncio enxurdecedor.

Plano cara de Oliver.

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Câmera altera para porta de entrada de sala de comando.

SOM VIOLINO, NOTA ÚNICA, CARREGADO.

Mão, ensanguentada, sem dois dedos, surge no perfil da porta.

Batida tambor, revelado o encontro entre ambos.

PAUSA

Kevin corre contra Oliver.

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

Oliver, com toda a força, lança um golpe com a mão esquerda em Kevin, carregada com o globo.

Kevin caí contra a parede lateral algo desorientado.

Oliver corre para cima do mesmo.

OLIVER (LANÇANDO GOLPES NA CABEÇA DE KEVIN, CHORANDO)

Desculpa-me!!

Kevin fica imóvel.

Oliver caí, exausto, para o lado.

Camera, foca face a face. Contemplando o olhar perdido de Kevin desvanecer-se e Oliver chorando, vendo o que restara dele partir.

Câmera focando agora sala completa, com os dois caídos no chão e ao fundo o Espaço, na tela, com sangue a correr pela tela.

Câmera volta a apanhar Oliver, ganhando energia no seu olhar agora. Segundos depois, deitado ainda de frente para Kevin, começa a olhar ao redor pela sala e vê o globo mais à frente.

Foco nos olhos de Oliver.

OLIVER (ESPANTADO)

O globo… Abriu com as pancadas?

Levanta-se, muito lentamente para ir de encontro ao globo.

Chegado ao pé do globo, bastante combalido, Oliver pega-o e encontra, no seu interior, uma chave.

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44

OLIVER

Uma chave? De onde? O que faz neste globo?

Olhando ao seu redor, procura por uma pista. Sem encontrar nada de esclarecedor, encaminha-se para os aposentos.

Em plenos aposentos, observa, numa estante logo ao lado da cama, uma estátua de um modelo da nave em ponto pequeno, ao centro do modelo, uma ranhura.

Som de piano, amargurado, tocando de fundo.

OLIVER

Será isto?

Oliver dirige-se à estátua e coloca a chave. Roda-a.

SOM METÁLICO ATRÁS DE OLIVER.

Por baixo da cadeira do comandante, na sala de comando, abre-se um alçapão.

OLIVER (INCRÉDULO)

Não posso acreditar… Será a minha fuga?

O mesmo corre em direção ao alçapão. Existem uma escadas, na vertical, em direção ao escuro absoluto.

Oliver, sem rodeios, decide-se prontamente a descer.

OLIVER (CONFORMADO)

Não tenho nada a perder….

Desce pelas escadas.

Som de tambores aumentando o suspense da cena.

Imagem de pé de Oliver batendo no fundo.

Acendem-se as luzes.

Zoom face Oliver admirado.

OLIVER (OLHOS ARREGALADOS)

Mas que raio…

Camera mostra local. Trata-se de umas catacumbas, com traço de vários anos de idade. Nas suas laterais, quadros de giz

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45

anotados com fórmulas matemáticas imperceptiveis a Oliver. Ao fundo um dispositivo.

Oliver encaminha-se ao dispositivo observando, pelo caminho, as anotações dos quadros.

Chegado ao aparelho.

OLIVER

Está… Vazio… Mas… O que é isto?

Oliver, após aperceber-se que o aparelho não identifica nada que o possa ajudar sobre o seu propósito volta para trás para os quadros. À medida que caminha, algo o faz bloquear.

OLIVER (CONGELADO)

Não posso crer… Isto… É o desenho do… do gato? O que disse Marta? Estar morto e vivo? Dualidade?

Mais em baixo apontamentos.

OLIVER (LENDO)

“As experiências têm revelado alguns efeitos secundários nos participantes, evidênciando pequenas flutuações nos genes.”

Oliver tenta descurtinar o estudo. Corre entre os apontamentos na sala tentando descobrir o que se passa.

OLIVER (LENDO OUTRO QUADRO)

“O espaço tempo, poderá manifestar-se pela dualidade.”

Andando para trás atarantado, Oliver acaba por embater num quadro à sua rectaguarda. O mesmo acaba por cair, mostrando um rabisco escondido.

OLIVER (GAGUEJANDO)

“O Tempo acabará por nos devorar.”

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FREEZE FRAME:

Zoom cara Oliver, som de violino corrido acompanha o momento.

Fim freeze frame.

Oliver começa a pensar num resumo de tudo o ocorrido desde o seu acordar na cápsula.

Início Flashback corrido:

Resumo de momentos chave da trama protagonizados por Oliver.

Fim flashback corrido.

Zoom cara Oliver.

OLIVER (OLHOS ABERTOS)

Não quero acreditar…

Oliver corre em direção às escadas. Subindo até à sala de comando, observa primeiramente o corpo estendido de Kevin no chão. Assim que confirma que está imóvel, arranca em passo rápido em direção aos aposentos na sala ao lado.

SOM DE FUNDO DE TAMBORES PROGRESSIVOS.

Em slow motion, Oliver encaminha-se para o corpo do velho estendido na cama. Chegado ao lado, a câmera faz zoom na cara de Oliver. Após uma pequena fração de segundos, Oliver arreda o cabelo ensaguentado do velho.

OLIVER (ATERRORIZADO)

SOU EU!!

CORTA PARA:

Começa Flashback:

Ext. Londres, Ponte Charles Pointt, cinco anos antes, fim de dia.

Legenda: cinco anos antes.

Oliver caminha cabisbaixo em direção a casa. A falta de trabalho, o aumento de dívidas e a situação debilitada familiar, aterrorizam o seu bem estar. Passando pela ponte usual de caminho até casa, uma voz grita por ele.

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IDOSA (EXALTADA)

Finalmente… Após tantos anos…

OLIVER (CAMINHANDO, ADMIRADO)

Desculpe… Conheço-a?

IDOSA

A morte vem no fim! A tua? Muito cuidado!

OLIVER (DESORIENTADO)

A senhora está bem?

A velha começa lentamente a caminhar na direção de Oliver, os olhos avermelhados, indicam uma alteração física invulgar, os dentes, amarelados, destacam-se pelo afiados que estão, saltando à vista de Oliver.

OLIVER (PREOCUPADO, REPETINDO-SE)

A senhora está bem?

IDOSA (EXALTADA)

Devias ter-me obrigado…

OLIVER (ALARGANDO O PASSO EM SENTIDO CONTRÁRIO)

Como? Do que fala?

Subitamente a velha corre, como que um velocista em direção a Oliver, deixando-o pregado ao chão pelo choque que vivera com esta situação.

Tambores tocam rápido no momento em que os dois se pegam, com nota única de piano.

Briga entre os dois junto ao corrimão da ponte. A velha tenta agredir Oliver, o mesmo tenta se soltar.

Após vários imporrões de parte a parte.

OLIVER

Nãoo!!

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48

A velha acaba por tropeçar, passando o corrimão da ponte e caindo para o rio.

FREEZE FRAME:

Oliver olha pelo cimo da ponte para as marcas deixadas na água gélida do corpo da velha caído ao rio.

VIOLINOS, MELANCÓLICOS, TOCANDO.

Fim freeze frame.

CORTA PARA:

ALMA EXCUMUNGADA

Int. Nova Yorque, Edifício Desconhecido, amanhecer.

Legenda: cinco anos antes.

Saíndo do elevador, os dois chegam a uma sala toda em tons de alumínio, ao centro, uma pequena mesa com um computador e uma cama metálica com equipamento de medição.

MARTA

Mas… O que é isto? Onde estamos?

O indivíduo, fecha a porta e segue para o centro da sala, sentando-se na mesa sem qualquer reação.

Confusa, Marta encaminha-se junto do indivíduo. O mesmo está a abrir um manuscrito na mesma.

Sem nada a perder, olha para o conteúdo. Deixando-a petrificada.

Uma representação, de uma figura, expelindo gritos de terror, saída dum torax de um corpo estendido.

Zoom cara Marta.

Ao fundo um vidro escuro. Alguém observa o sucedido.

Câmara avança em direção ao vidro, atravessando-o.

Câmara foca os dois agentes acompanhando o processo.

Mexendo no computador.

AGENTE 1

Estaremos no príncipio do fim?

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49

A câmara corre agora em direção ao solo, percorrendo andar a andar em velocidade rápida até que chega à cave do edifício.

Surge uma imagem horripilante.

Milhares de corpos ensacados de zombies.

SOM DE PIANO, TOM ESTENDIDO DURANTE A IMAGEM DOS CORPOS.

CORTA PARA:

Começa Flashback:

Ext. Nova Yorque, Instalações Desconhecidas, Centro de Pesquisa cinco anos antes, noite.

Legenda: cinco anos antes.

Numa plataforma de visualização científica, os dois agentes exigem resultados sobre a investigação. Espera-se grandes resultados para a organização.

AGENTE 1

Precisamos de respostas, estamos a ser pressionados!

DR. KEVIN

Estamos a trabalhar até à exaustão! Mas… Eu digo-vos, estamos a passar todos os limites da ética.

AGENTE 2 (INDIFERENTE)

Neste momento preocupe-se mais com o seu futuro e menos com a ética.

A equipa de cientistas, no piso inferior, trabalham ao redor de um equipamento, analisando dados de um corpo deitado no mesmo. A imagem do corpo está bastante degradada.

DR. KEVIN (PREOCUPADO)

O estudo feito pela Dr. Marta foi uma peça chave para a nossa descoberta. Contudo, não

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50

esperávamos que mexer com o Espaço-Tempo podesse criar uma dualidade genética.

AGENTE 1

Está a dizer que a formula recolhida dessa tal Doutora está imprecise?

Kevin começa a deambular pela sala, coçando a nuca com a mão esquerda.

SOM GRAVE DE VIOLINO TOCANDO.

DR. KEVIN

Bem… Não exatamente. Estou a afirmar que fomos imprudentes, fomos incompetentes em usá-la sem a entender no seu todo.

Bastante incomodado, o agente empurra uma secretária contra uma parede.

PPPUUUUUUMMMMM!

Com o barulho os cientistas, no piso inferior, assustam-se, olhando para cima.

Foco da câmera no corpo deitado.

SOM TAMBORES ESCALANDO.

Olhos começam a tremer.

Os olhos abrem.

WWWWWAAAAAHHHHHHHWWWWGGGGG!!

FADE OUT:

THE END

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